
A tua cabeça desceste
Quando me sentiste ao rubro
A razão por que o fizeste
Nem quero ver se descubro.
Os teus lábios sedentos
Sobem e descem o mastro
Que sucumbe aos movimentos
E atrás de si deixo lastro.
Jamais me vinha à ideia
Que a tua boca travessa
Gostasse de ficar cheia
e de sugar a remessa.
Ajoelhas-te junto à cama
E só deixas de trepar
Quando o mastro se derrama
E eu vejo estrelas no ar...

Sob nuvens altas e brancas
E a luz difusa da lua
Recolheste toda nua
O meu falo entre as ancas.
Nada ficando por certo
Nessa noite de loucura
Vejo-me a sonhar disperto
Que vens à minha procura.
Quero visitar de novo
O que tens mais desejado
E sentir que me dissolvo
Dentro do teu melhor lado.
Um rumor um sobressalto
O teu dorso que me anima
E já solto um grito alto
Tendo o meu peito por cima...
Por mim passaste a correr
E tu nem sequer me viste
Por isso fiquei mui triste
E a pensar no que fazer.
Julguei que tu já sabias
Como anda o meu bem querer
Mas se agora o contrarias
Como é que eu hei-de saber?
Vou passar à tua rua
Bem junto à tua janela
Quiça posso ver-te nua
Ao dar uma espreitadela.
Se ao espreitar deres por isso
Talvez tudo se decida
Caso tu me dês guarida
Dar-te-ei o meu compromisso!
Deixaste em mim a tua marca
No dia em que nós dois caímos
Naquela palha seca e farta
E felizes de lá saímos.
Olho para ti e revejo
Uma donzela afogueada
Em cima da palha deitada
Que morre e provoca desejo.
Ainda me recordo bem
Do teu arfar e dos gemidos
Quase abafavam os ruídos
Que chegavam de mais além.
Inefável esta memória
De que falo com meus botões
Verdadeiro dia de glória
Bálsamo nas desilusões!
Roubei-te aquele beijinho
Ao passares entre as sebes
Agora tu já percebes
Que ando preso plo beicinho.
O gosto da tua face
Que eu osculei com ternura
Nos meus lábios inda dura
Nem me parece que passe.
Não percebo por que evitas
Um novo encontro entre nós
Se avançar de mais tu gritas
Quando estivermos a sós.
Ande lá por onde andar
Os teus lábios tão carnudos
Morrerei se não beijar
Ao menos por uns segundos!
Tenho-te aqui bem apertada
Entre os meus braços que são teus
Sei que partes não tarda nada
Oxala não seja um adeus.
Até breve é sempre o que dizes
Mas não voltas com brevidade
Ainda asim somos felizes
Nem que seja pela amizade.
Uma amizade bem robusta
Quando um no outro nós estamos
És tão versátil convenhamos
ser teu amigo nada custa.
É sempre muito o que me dás
Contigo entro num labirinto
Donde sair sou incapaz
De tão bem que por lá me sinto!
Passaste bem por amiga
Mas um dia a tua mão
Cantou-me outra cantiga
Por via duma eração.
Sobre ti sei pouco ou nada
Mas das tuas mãos sei mais
Dentro delas são normais
As ereções prolongadas.
Como não são egoistas
Para elas tanto faz
Que eu procure outras pistas
À frente em cima ou atrás.
Mas elas são preferidas
Com direito a cortesias
As tuas mãos atrevidas
Jamais deixarei vazias...
As águas calmas do mar
Lambram-me o teu olhar
Sereno e convidativo
De repente fico apreensivo
Porque não sei se vais voltar.
Quando viviamos juntos
Havia um paraíso
No teu doce sorriso
Momentos que são defuntos
Falecidos num tempo impreciso.
Após nevoeiro cerrado
Voltando o Sol a brilhar
O bom humor é renovado
Assim seria ver-te regressar.
As pétalas já caídas
De qualquer flor que murchou
São horas por nós vividas
Nesse tempo que findou!
Dos que se queijam de enfado
Muitos são meros casmurros
Bem pior é o seu fado
O triste fado dos burros.
Falar muito é condenável
Um defeito a combater
Contudo acham aceitável
Saber pouco ou nada ler.
Quanto à escrita nem se fala
Não tratam dos seus papéis
E as leituras são cruéis
Porque não entendem nada.
Rejeitam a companhia
Dos que nem são maus sujeitos
Mas com os próprios defeitos
Vão vivendo em harmonia...
Vi o teu rosto corar
Ao olhares para mim
Mas não posso imaginar
O que o fez corar assim.
Cá por mim posso dizer
Que o coração se agitou
Talvez fosse de saber
Por que o teu rosto corou.
Fosse eu como o coração
Um tão bom observador
Certamente que o rubor
Não teria sido em vão.
Meu coração e teu rosto
Vão falando entre si
E eu vou vendo com desgosto
Que nem se lembram de mim!
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