Sábado, 28 de Janeiro de 2012
O MASTRO

 

A tua cabeça desceste

Quando me sentiste ao rubro

A razão por que o fizeste

Nem quero ver se descubro.

 

Os teus lábios sedentos

Sobem e descem o mastro

Que sucumbe aos movimentos

E atrás de si deixo lastro.

 

Jamais me vinha à ideia

Que a tua boca travessa

Gostasse de ficar cheia

e de sugar a remessa.

 

Ajoelhas-te junto à cama

E só deixas de trepar

Quando o mastro se derrama

E eu vejo estrelas no ar... 



publicado por Abel às 18:47
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
UM GRITO ALTO

 

Sob nuvens altas e brancas

E a luz difusa da lua

Recolheste toda nua

O meu falo entre as ancas.

 

Nada ficando por certo

Nessa noite de loucura

Vejo-me a sonhar disperto

Que vens à minha procura.

 

Quero visitar de novo

O que tens mais desejado

E sentir que me dissolvo

Dentro do teu melhor lado.

 

Um rumor um sobressalto

O teu dorso que me anima

E já solto um grito alto

Tendo o meu peito por cima...



publicado por Abel às 19:02
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
O MEU COMPROMISSO

Por mim passaste a correr

E tu nem sequer me viste

Por isso fiquei mui triste

E a pensar no que fazer.

 

Julguei que tu já sabias

Como anda o meu bem querer

Mas se agora o contrarias

Como é que eu hei-de saber?

 

Vou passar à tua rua

Bem junto à tua janela

Quiça posso ver-te nua

Ao dar uma espreitadela.

 

Se ao espreitar deres por isso

Talvez tudo se decida

Caso tu me dês guarida

Dar-te-ei o meu compromisso!


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publicado por Abel às 20:46
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
A TUA MARCA

Deixaste em mim a tua  marca

No dia em que nós dois caímos

Naquela palha seca e farta

E felizes de lá saímos.

 

Olho para ti e revejo

Uma donzela afogueada

Em cima da palha deitada

Que morre e provoca desejo.

 

Ainda me recordo bem

Do teu arfar e dos gemidos

Quase abafavam os ruídos

Que chegavam de mais além.

 

Inefável esta memória

De que falo com meus botões

Verdadeiro dia de glória

Bálsamo nas desilusões!


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publicado por Abel às 17:30
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
POR UNS SEGUNDOS

Roubei-te aquele beijinho

Ao passares entre as sebes

Agora tu já percebes

Que ando preso plo beicinho.

 

O gosto da tua face

Que eu osculei com ternura

Nos meus lábios inda dura

Nem me parece que passe.

 

Não percebo por que evitas

Um novo encontro entre nós

Se avançar de mais tu gritas

Quando estivermos a sós.

 

Ande lá por onde andar

Os teus lábios tão carnudos

Morrerei se não beijar

Ao menos por uns segundos!


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publicado por Abel às 18:47
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Domingo, 22 de Janeiro de 2012
NADA CUSTA

Tenho-te aqui bem apertada

Entre os meus braços que são teus

Sei que partes não tarda nada

Oxala não seja um adeus.

 

Até breve é sempre o que dizes

Mas não voltas com brevidade

Ainda asim somos felizes

Nem que seja pela amizade.

 

Uma amizade bem robusta

Quando um no outro nós estamos

És tão versátil convenhamos

ser teu amigo nada custa.

 

É sempre muito o que me dás

Contigo entro num labirinto

Donde sair sou incapaz

De tão bem que por lá me sinto!



publicado por Abel às 21:35
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Domingo, 15 de Janeiro de 2012
MÃOS ATREVIDAS

Passaste bem por amiga

Mas um dia a tua mão

Cantou-me outra cantiga

Por via duma eração.

 

Sobre ti sei pouco ou nada

Mas das tuas mãos sei mais

Dentro delas são normais

As ereções prolongadas.

 

Como não são egoistas

Para elas tanto faz

Que eu procure outras pistas

À frente em cima ou atrás.

 

Mas elas são preferidas

Com direito a cortesias

As tuas mãos atrevidas

Jamais deixarei vazias... 



publicado por Abel às 19:15
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
TEMPO QUE FINDOU

Q

As águas calmas do mar

Lambram-me o teu olhar

Sereno e convidativo

De repente fico apreensivo

Porque não sei se vais voltar.

 

Quando viviamos juntos

Havia um paraíso

No teu doce sorriso

Momentos que são defuntos

Falecidos num tempo impreciso.

 

Após nevoeiro cerrado

Voltando o Sol a brilhar

O bom humor é renovado

Assim seria ver-te regressar.

 

As pétalas já caídas

De qualquer flor que murchou

São horas por nós vividas

Nesse tempo que findou!

 


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publicado por Abel às 17:43
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012
OS CASMURROS

Dos que se queijam de enfado

Muitos são meros casmurros

Bem pior é o seu fado

O triste fado dos burros.

 

Falar muito é condenável

Um defeito a combater

Contudo acham aceitável

Saber pouco ou nada ler.

 

Quanto à escrita nem se fala

Não tratam dos seus papéis

E as leituras são cruéis

Porque não entendem nada.

 

Rejeitam a companhia

Dos que nem são maus sujeitos

Mas com os próprios defeitos

Vão vivendo em harmonia...



publicado por Abel às 18:13
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
VI O TEU ROSTO CORAR

                          

 Vi o teu rosto  corar

Ao olhares para mim

Mas não posso imaginar

O que o fez corar assim.

 

Cá por mim posso dizer

Que o coração se agitou

Talvez fosse de saber

Por que o teu rosto corou.

 

Fosse eu como o coração

Um tão bom observador

Certamente que o rubor

Não teria sido em vão.

 

Meu coração e teu rosto

Vão falando entre si

E eu vou vendo com desgosto

Que nem se lembram de mim!


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publicado por Abel às 20:05
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