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VERSOS RIMADOS

Versos de amor, de crítica, de meditação, de sensualidade, criados ao sabor da rima e da métrica pelo autor do blog...

Versos de amor, de crítica, de meditação, de sensualidade, criados ao sabor da rima e da métrica pelo autor do blog...

AS ALMAS INOCENTES

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O homem não concorda nem discorda
Do seu estado de alma nem do alheio
Nem colhe o trigo em seara de centeio
Nem sabe o seu destino quando acorda!

Não tenho esse talento dos poetas
Mas a poética veia mora em mim
Os meus estados de alma são,enfim,
Razões incontestáveis e concretas!

Os estados febris ninguém contesta
Só se apuram as causas de tais febres
Que o médico analisa e logo atesta!

Coisas boas e más dizem as gentes
Por vezes tão velozes que nem lebres
São estados das almas inocentes...

A BONDADE

sanguinocente.jpg

Se a bondade é um sopro que faz bem
Por que sopra o bom vento de contrário?
Muita gente que vive com desdém
Vai tornando o bom vento mais precário!

Quem passou pela terra bem falou
Mas o homem de surdo não ouviu
O homem cegamente só matou
A bondade que o vento transmitiu!

A cruzada assassina e infeliz
Incute convicções no cego crente
Que a palavra encarnada contradiz...

A humana condição mais se agravou
No momento em que o sangue do Inocente
O homem cruelmente derramou!

SÃO DOIS MILHÕES

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Vinte por cento fazem dois milhões
De pessoas que vivem na pobreza
Sem esperança ou qualquer certeza
De alguma vez sair de privações...

Governo iniciado com acções
Insensíveis que roçam a torpeza,
Que envergonham a Pátria portuguesa,
Que agravam as já parcas condições...

O país foi entregue a figurões
Que se comportam como seus patrões
Desprezando quem nele bem moureja!

Que Deus guarde o seu filho doravante
Que havia de sofrer muito perante
Esta Félix doutrina da igreja...

CAMISA DE ONZE VARAS

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Por via tumultuosa me perdi
Enleado em camisa de onze varas:
Horas sinistras, horas tão amaras!
Foram muitas aquelas que sofri...

Num momento eu decidi
Corromper da vida as anteparas:
Sem protecções as sortes são avaras,
Ainda assim, por sorte resisti...

O pobre corpo doente, enfraquecido,
No porão mais profundo, esquecido,
O espírito confuso derramou...

Mas a alma venceu, tenaz e forte,
A luta decisiva contra a morte
E a minha lucidez recuperou...

O SUBCONSCIENTE

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No seu interior, o subconsciente
Um escalão de valores insinua:
Uma lista certa, incerta, fria e crua
Que em nós arregimenta toda a gente...

Em nada determina a nossa mente
O lugar no qual outrem se situa:
O subconsciente tudo atenua
Em prol de posição conveniente...

Assim, nos colocamos, sem querer,
Mais abaixo ou acima sem sequer
Pesar bem o valor doutras pessoas...

Pequenos, médios, grandes percorremos
Uma escala que nós desconhecemos
Por razões que não são nem más nem boas...

NEM TÊM DONO

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O polvo tudo envolve em seus tentáculos,
Abafa o respirar da sua presa,
Ela sucumbirá ante os obstáculos
Tal como quem destrói a Natureza...

O humano faz da terra um açafate
Onde guarda intestinos esporões
Passa a vida a puxar dos seus galões
Mas é irracional no disparate...

É tão grande o buraco do Ozono
Quão a inconsciência dos humanos
Antecipando o seu próprio Outono...

Animais racionais, puros enganos,
Não reconhecem lei, nem têm dono,
Parecem vagabundos, quais ciganos!

O PÃO QUE MATA A FOME

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Tão magros e mal cuidados das agruras
Os indigentes vão e ninguém vê
Tanta indiferença humana vem de quê
Já que cegas não são as criaturas!?

A cegueira dos olhos da razão
É tão dura, insubmissa e leviana!
Vive mais em pecado quem se engana
Enganando o seu próprio coração...

Quanto mais alguém foge da pobreza
Que de mão estendida pede esmola
Tanto mais vai fugindo da pureza...

Como quem traz amor numa sacola
Tira da tua bolsa, com nobreza,
O pão que mata a fome a quem esmola!

AS MENTES ANDAM LOUCAS

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Por causa duma trave nunca vejo
Os argueiros nos olhos das pessoas,
Nem sei se serão elas más ou boas:
Que possam viver bem é o que desejo!

Sentir-me aborrecido é cousa rara,
Comigo podem sempre conversar,
Mas nisso muita gente não repara
E se afasta de mim sem hesitar!

As opiniões são sempre subjectivas,
De inexactidão todas são passivas,
Não se anulam jamais umas às outras...

Se acaso coincidirem, de verdade,
Será uma tão grande novidade
Que alguém dirá que as mentes andam loucas!