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VERSOS RIMADOS

Versos de amor, de crítica, de meditação, de sensualidade, criados ao sabor da rima e da métrica pelo autor do blog...

Versos de amor, de crítica, de meditação, de sensualidade, criados ao sabor da rima e da métrica pelo autor do blog...

EM ESPIRAL

abismo.jpg

Não trago exemplos de fora
 Meu exemplo é interior
Almeja paz e amor
Minha alma revigora...

Caminha de passos 'streitos
Numa ânsia do abismo
Hipocrisia e egoismo
A ele não estão sujeitos...

Às vezes a visão turva
Enfeixada em ramalhete
Ladeada em tons de curva
Dum vinho de beberete...

Contorna sempre as esquinas
Cotovelos aguçados
Quando tu e tu maquinas
Os pensamentos curvados...

É um humor tão profundo
Que penetra em espiral
Sacode de si o mal
O mal que chega do mundo...

LUVAS BRANCAS

luvas.jpg

Não tenho mais luvas brancas
Pra te dar outra chapada
E as luvas já foram tantas!
Mas não serviram de nada...

Quando as noites são cerradas
Não há luas que se vejam
Apenas das trovoadas
Os relâmpagos lampejam.

Com intenso nevoeiro
Não brilha o Sol radiante
Nem avança o caminhante
Em sua terra estrangeiro.

Se o louco de si soubesse
Louco jamais ele seria
E os erros que cometesse
Por certo não repetia.

Mas tu não és uma louca
O teu mal é cobardia
Escondida abres a boca
Que fechas à luz do dia...

OVO DE COLOMBO

ovo.jpg

 

São simples mas verdadeiros
Porque são a nossa voz
E nascem dentro de nós
E são nossos por inteiro.

Não é escrita elaborada
Saída doutras leituras
Ela surge inesperada
Do viver das criaturas.

Quem se queda nos requintes
Do saber não sabe nada
Toda a coisa que é mais simples
É sempre a mais requintada.

Os versos simples parecem
Feios e até imperfeitos
Quando as pessoas se esquecem:
São assim porque estão feitos.

Dentro de nós e por fora
Procuramos o assombro
Mas quase sempre se ignora
O tal ovo de Colombo!

O TRIGAL

trigo1.jpg

Este aroma na atmosfera
Lembra-me aquele trigal
Onde o teu véu virginal
Como espuma se rompera.

As espigas cor de chama
As de pé  e as pisadas
Foram pra nós uma cama
De núpcias antecipadas.

Nesse dia os teus ais
Eram todos de prazer
Mas já havia sinais
Dos ais que fazem doer...

Teu corpo tão ondulado
Na cintura mais traseira
Tinha a forma do pecado
Do fruto da macieira.

Mais que animal aluado
Voaram desejos perdidos
Cedo se ouviram gemidos
Oriundos doutro lado.

AS LEIS DA CRIAÇÃO

asleis.jpg

As leis da criação não permitiam
Que o Homem de Nazaré deixasse a Cruz
Aquando os fariseus escarneciam
Tão zombeteiramente de Jesus...

Horríveis criaturas, as humanas,
Que fazem do assassínio a salvação
Das almas pecadoras, levianas,
Ignorantes titãs da presunção!

Desconhecem as leis da Criação
Semeiam no trigal uma luzerna
Que não tem as espigas que dão pão...

Confundem a palavra que governa
Prometendo a quem crê uma ilusão
Que o afasta, no Além, da paz eterna!

É O NOSSO PENSAMETO

agua.jpg

No enlevo da miragem
Se atraiçoa o pensamento
Qual traição da mariagem
Provocada pelo vento...

Como a água que deslumbra
Num oásis do deserto
O pensamento se afunda
Se não estiver bem desperto.

Uma veloz caravela
Que desliza sobre o mar
Navegando a toda a vela
Sem que possa recuar

É o nosso pensamento
Que nos abana e conduz
Qual rabanada de vento
Que agita e apaga a luz .

O OUTONO

 

Quisera sonhar um dia
Não sonhei não fui capaz
Afinal mal eu sabia
Que o tempo voltava atrás!

O Outono se reanima
Em fúria desenfreada
Reabre a porta fechada
Reinventa a minha sina!

Uma vaga de ternura
Lançando no ar queixume
Reacende a chama em lume
Do amor que sempre dura.

Meia noite e meia hora
Como o repicar dum sino
De mim toma conta agora
O clamor do desatino!

Meio composto por fora
Em desalino por dentro
De mim toma conta agora
Um primaveril rebento.

Vergôntea esverdeada
Esperança dos meus sonhos
Que espera os dias risonhos
Da vida sempre sonhada.

Meu relógio ferrugento
Tu não andavas parado
E,por fim, me dás, a tempo,
O tempo mais esperado!

A TUA INOCÊNCIA



Passei por ti a correr
Reparei no teu vestido
Justo que deixava ver
Um corpo bem esculpido!

Uma leve transparência
Do meu silêncio Loquaz
Despiu a tua inocência
No meu pensar de rapaz.

Os contornos imprecisos
Do teu corpo eu cingia
Movimentos indecisos
De quem não viu o que via...

Porém eu via a nudez
Do teu corpo imaculado
E mimava com cuidado
Tua acetinada tez.

Na fácil ingenuidade
Dos anos poucos e insossos
Os enganos e a maldade
Ainda deixam remorsos.

UM PIQUENIQUE

 

Um piquenique acolhedor
Os olhos postos no céu
Assentados ela e eu
Nas pernas um cobertor...

Inda que sob vigia
A sua mão avançava
O cobertor escondia
Ela achou o que buscava.

Como um pássaro alado
Ou talvez como uma estrela
Pairei enquanto a mão dela
Amimava o seu achado.

Do bolso tirei um lenço
Que os encimou como um véu
E sobre si recolheu
As chamas dum fogo intenso.

Assim fora agraciado
Pelo carrossel da mão
Do namoro que a meu lado
se sentara ali no chão

VENTANIA IMAGINADA



Cheguei a um lugar e fiquei cego
Forte vento infernal se levantava
Não sei como é que o vento se chamava
Mas sei que em mim lançou desassossego.

As coisas a que tinha tanto apego
Dum golpe se varreram da memória
São coisas que passaram à história
Por descuido afundadas nalgum pego...

Um som surdo enrolado em torvelinho
Martela-me a cabeça atormentada
Tomado de emoção em desalinho

Numa fuga veloz desenfreada
Que leva ao que sonhei em rapazinho
Saí da ventania imaginada...