Esta é uma luta sem tréguas Que terei de guerrear Hoje e sempre sem cessar Como quem palmilha léguas. Louvo a crítica com ética Prenhe de frontalidade Mas condeno a acção patética Dos insultos com maldade. Não me atrevo a pactuar Com crises existenciais Que acabam por descambar Nos ataques pessoais. Em todo o seu proceder Se manifesta um varão Odiando ser mulher... Pune os homens sem razão!
Uma nova emoção Se aloja dentro de mim Não sei se ela é boa ou não Nem qual será o seu fim. Sei que me excita e devora E me causa ansiedade E me leva estrada fora À procura da verdade. Mas a estrada não tem fim E a verdade também não Assalta-me a sensação Duma dúvida ruim. A claridade se ofusca Dominam agora as trevas Ó minha incessante busca Vê lá pra onde me levas. A desistência me aflora A desistência me aflora O já débil pensamento A emoção foi-se embora Em mim fica o desalento.
Sucumbindo ante a vaidade Os homens são mais precários Deixam de ser solidários Perdem a identidade. Surdos não ouvem os gritos Dos sofrimentos alheios cegos nos seus devaneios Não reparam nos aflitos. Rejeitam o desengano Longínquos da claridade Luz que a solidariedade Derrama no ser humano. Do mais jovem ao mais velho Há sempre alguém que mendiga Uma ajuda, um conselho Ou uma palavra amiga. Quem os outros auxilia Das trevas derruba muros Revendo-se na alegria Dos que liberta de apuros.
A inquietação que sinto Traz-me sempre angustiado Sendo certo que não minto Porque é que ando envergonhado? E a aflição assaz feroz Que teime em me acompanhar Por vezes me embarga a voz E não me deixa falar. No silêncio da penumbra Já eu caminho perdido Nunca fui um destemido E o meu medo até retumba. Não domino este pesar Que me acabrunh o ser E não me deixa sonhar Com um novo amanhecer. Difusa se escoa a vida Desta alma que é a minha Numa constante descida Que de bom nada adivinha.
Hitler não se conformou Com o já lido dos livros que mandou queimar Hitler não se conformou Com os judeus já vistos que mandou matar Hitler não se conformou Com as fronteiras já estabelecidas Que mandou violar... Ter-se-á Hitler julgado Um dos homens póstumos Por Nietzsche Referenciados? Em muitas ocasiões As grandes filosofias Mal interpretadas Por mentes doentias Levaram a milhões de vidas ceifadas...
Ouvem os pouco letrados Ouvem, porém , não entendem Lêem se são obrigados Lêem, mas não compreendem. Nas letras pouco versados São muitas as confusões Quase sempre estão errados Quando tiram conclusões. A razão no ser humano Tem diversas dimensões É laborar no engano Não tirar disso ilações. Os animais racionais Estão muito mal divididos Num só grupo são mantidos Como se fossem iguais. Assim os pouco letrados Vegetando nesciamente Julgam-se, os descarados, Mesmo iguais a toda a gente. Esta falsa ingenuidade Provoca complicações Gera muita inimizade E envenena as relações.
Os pouco letrados são Almas de tanta ignorância Que tratam com arrogância Quem lhes dá muita atenção. As mentes empedernidas Deixam de dar importância Às pessoas evoluídas Que os tratam com tolerância. Ignorá-los simplesmente Seria o mais adequado Conviver com esta gente Nunca dá bom resultado. Os animais de estimação Vivem bem em sociedade Agindo em conformidade Com a sua condição. Saibam os pouco letrados Agir da mesma maneira E sairão da pasmaceira A que se acham condenados!!!
A vida sempre espinhosa Me absorveu e transformou Na massa falaciosa Que reconheço que sou. Imprecisões e lacunas Num brusco levantamento Como as areias das dunas Empurradas pelo vento Se espalham e contaminam Os juízos que eram sãos E emperram com os seus grãos As ideias que me animam. Tergiverso contraído Pelo meu terrível caos Cheio de presságios maus Que me deixam deprimido
Entrámos prá CEE Crentes numa melhoria Tanto como parecia Afinal ela não é...
Levanta a cabeça, ó homem, Não te deixes abater Que as penas que te consomem Não são penas a valer. Não te falta o pão pra boca Nem onde te recolher Nem a saúde é tão pouca Que te impeça de viver. Tens pouca animação Falta-te o divertimento Mas tens em compensação Um bom entretenimento: A leitura faz-te bem E alarga os teus horizontes Feliz o homem que vem Beber a tão boas fontes. Ergue os teus olhos bem alto Contempla o azul dos Céus E vive sem sobressalto Que no alto vela Deus !
No limiar duma esperança Em frustrada tentativa Perdi vontade e confiança Sou uma nave à deriva. Acrescentam-se as lonjuras Que falta o discernimento E perdem-se as conjecturas No longínquo firmamento. Numa rota circular Eu vagueio navegando Sem nunca mais encontar O que busco meditando
Uma forte tempestade Turbulenta, agitadora, Potente, avassaladora Leva-me à insanidade
Na vulgar vida mundana Já procuro o refrigério Prá meditação insana Toda cheia de mistério.
Traz-me lá, ó mensageiro, A notícia que mais quero Nem que seja o ano inteiro Inda assim por ela espero! De mansinho e devagar Eu espero a toda a hora O dia em que há-de chegar O que mais espero agora! A nova da tua vinda Aguardo cheio de medo Não sei se é tarde ou se é cedo Nem sei mesmo se é ainda! Já se turva na retina Dos meus olhos teu olhar Nem sei mesmo se é ainda O tempo de te esperar! Se algum dia o Céu se abrir Numa noite de luar Eu sinto que vou sorrir Ao ver-te um dia chegar!