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VERSOS RIMADOS

Versos de amor, de crítica, de meditação, de sensualidade, criados ao sabor da rima e da métrica pelo autor do blog...

Versos de amor, de crítica, de meditação, de sensualidade, criados ao sabor da rima e da métrica pelo autor do blog...

JORNALISTAS E OUTROS


 

Como é que podem formar
Pessoas em jornalismo
Sem ensinar que o purismo
Se deve sempre evitar?

Nos meios de informação
Existe um grande míngua
Dos que falam em função
Do nível médio da língua.

Em vez de alcoolemia
Proferem "alcoolémia"
E a palavra leucemia
Dizem-na como "leucémia".

Ás abertos e acentuados
Jornalista ou locutor
Pronunciam sem pudor
Como se fossem fechados.

Num Programa juvenil
Afirmava uma jurada
Com ar todo senhoril
- Acho ela muito engraçada!   

Numa outra emissora
A uma criança também
Pergunta a moderadora
- Alimentas ela bem?


Falava num certo dia
Marcelo R. de Sousa
Duma qualquer "alérgia"
Mas não existe tal cousa!

O mui nobre professor
Cavaco Silva eu contesto:
Quando pronuncia "hónesto"
Comete um enorme error!

Até a mesopotâmia
Que se lê com dois ós mudos
Alguém leu "Mesópotâmia"
Avolumando os absurdos!

Vemos na 'strada a rolar
Carros em fila ordenada
E um locutor a afirmar
Que não há "fila" na 'strada!

Há trinta anos remotos
Poucos falavam tal mal
Como jornalistas e outros
Falam hoje em Portugal!

Se toda a gente é pessoa
Já bem falante é que não
Se não tem sintaxe boa
Nem boa tem a dicção!

O CÃO







O cão é um animal
De elevada estimação
E na escala social
O primeiro em ascenção.

Que da família faz parte
Já muita gente afirmou
É grande o engenho e arte
Que tal honra conquistou.

Chama o filho pelo pai
Que não lhe presta atenção
Pois deste o pai já lá vai
Bem atrelado ao seu cão.

Se do cão acaso falas
Do cão tu não digas mal
De contrário ainda assolas
O dono do animal.

Neste delicado culto
Que agora é prestado ao cão
Em caso de haver insulto
O dono é seu guardião.

A defecação canina
Espalhada pelo chão
É o símbolo que encima
A idolatria do cão!!
Convive com muita gente
Tem família e amiguinhos
Fala mais é dos cãezinhos
Será porque anda doente?






























 

O ARTICULISTA

articulista.jpg

Terrenos após lavrados
Eternamente em pousio
São peixes envenenados
Nas águas podres dum rio.

As enguias que se escapam
das manhas do pescador
São frutos que não se alapam
Aos campos do mau feitor

As redes que são cosidas
pelas mãos de quem não sabe
São pescarias perdidas
Nos mares de quem as abre.

Sapateiro de sovela
Bem trabalhada na mão
Quando toca rabecão
Aos ouvidos traz sequela.

O articulista inventado
Manobra mal a charrua
Fica a terra sempre nua
Onde passa o seu arado.

A MENTIRA

locutor.jpg

Trabalho, cumpro um horário,
Que às vezes causa arrelia
Gosto do labor diário
mas não hoje, noutro dia...

É bonita a profissão
Dá-me prazer e sustento
Mas há sempre um dia não
Em que custa estar lá dentro...

É tudo tão repetido!
Palavras, gestos e sons,
Satura-se o indivíduo
Nos momentos menos bons.

Se acaso algo sai mal
Alguém nota e o aponta
Reajo como uma tonta
De modo pouco normal.

Fingindo ainda me iludo
Dizendo faço o que quero
Mas sei que apenas tolero
A mentira disto tudo!

O SOL

Av. Litorânea - Niterói 






Que pessoa qual é ela
Que diz não dizendo sim?
É a que diz que amarela
É a cor do carmesim.

Numa esquadra de polícia
Não basta a oralidade
Só é prova de perícia
Bilhete de identidade.

Que um dito não tem sentido
Comprova-se com acção
Não se faz um desmentido
Dizendo apenas que não.

Ao falar sobre a verdade
Cada um terá a sua
Mas só na frontalidade
Há verdade nua e crua.

Sei que o meu rimar não presta
Porque não vivo na lua
Vivo apenas numa rua
Em que o Sol dá uma festa!

Nem há janelas prá rua
Disse um dia um locutor
Se a chuva inda continua
Não sabemos não senhor!

LUVAS BRANCAS

luvas.jpg

Não tenho mais luvas brancas
Pra te dar outra chapada
E as luvas já foram tantas!
Mas não serviram de nada...

Quando as noites são cerradas
Não há luas que se vejam
Apenas das trovoadas
Os relâmpagos lampejam.

Com intenso nevoeiro
Não brilha o Sol radiante
Nem avança o caminhante
Em sua terra estrangeiro.

Se o louco de si soubesse
Louco jamais ele seria
E os erros que cometesse
Por certo não repetia.

Mas tu não és uma louca
O teu mal é cobardia
Escondida abres a boca
Que fechas à luz do dia...

OVO DE COLOMBO

ovo.jpg

 

São simples mas verdadeiros
Porque são a nossa voz
E nascem dentro de nós
E são nossos por inteiro.

Não é escrita elaborada
Saída doutras leituras
Ela surge inesperada
Do viver das criaturas.

Quem se queda nos requintes
Do saber não sabe nada
Toda a coisa que é mais simples
É sempre a mais requintada.

Os versos simples parecem
Feios e até imperfeitos
Quando as pessoas se esquecem:
São assim porque estão feitos.

Dentro de nós e por fora
Procuramos o assombro
Mas quase sempre se ignora
O tal ovo de Colombo!

OS NOSSOS ERROS

lavra.jpg

Para que serve a tua palavra
Repetindo hoje o que ontem disseste?
Que fruto se colhe duma lavra
Que se fizer em terreno agreste?

Da água potável que se bebe
Tira-se o soro que nos dá vida
O animal faminto pula a sebe
Atrás da qual se encontra comida!

Se com esmolas se mata a fome
Por que te escondes no egoismo
desonrando assim o nobre nome
Que hás recebido do teu baptismo?

Se o erro que às vezes enalteces
É fonte de ciência e saber
Por que tardas em reconhecer
Erros que tu sabes que cometes?

Sempre que não vês a evidência
Da palavra que não tem razão
Feres sem que tenhas consciência
Alguém que te ouça com atenção!