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VERSOS RIMADOS

Versos de amor, de crítica, de meditação, de sensualidade, criados ao sabor da rima e da métrica pelo autor do blog...

Versos de amor, de crítica, de meditação, de sensualidade, criados ao sabor da rima e da métrica pelo autor do blog...

O MEU PALPITE

Como se jogasse na lotaria

Estava certo o meu palpite

E saciei um apetite

Que há muito me consumia.

 

Como quem não quer a coisa

Penetrei onde não devia

Não partindo logo a loiça

Era certo que ela consentia.

 

E satisfiz o meu vício

Nesse e em muitos outros dias

Como tudo o que tem início

Chegaram ao fim  as tropelias.

 

É um vício inefável

Que comigo morrerá

Um prazer tão condenável

Quem nunca o teve dirá...

FORNO MAIS ESTREITO

Não era uma fantasia

Que julguei sonhar acordado

Ali estava deitada a meu lado

E era real o que ela fazia.

 

Puxando pôs-me inclinado

E encostou-se à minha frente

Fez-me sentir acossado

Por uma ansiedade pungente.

 

O pensamento se perturba

Quero evitar mas não posso

Em vez de me pôr em fuga

Afundei-me naquele poço.

 

Não sei se é mal ou bem feito

Mas quando me derretia

Dentro do forno mais estreito

Pensei que de lá já não saía...

 

APANHAR A ESPIGA

Num dia de Quinta-feira

Veio comigo uma amiga

Quero apanhar a espiga

Dizia toda brejeira.

 

Num muro deitou-se de costas

E ajeitou-me no seu regaço

E sem qualquer embaraço

Pôs os seus peitos à mostra.

 

Como que endemoniada

E liberta de receios

Afogou entre os dois seios

A espiga muito aprumada.

 

Olhou para mim e sorriu

Ansiosa a minha amiga

Nos seios roçava a espiga

E a espiga não resistiu...

ROUBOU-LHE A SEMENTEIRA

Começámos com uma valsa

Mas outra seria a dança

A promissora esperança

Que me deu não era falsa.

 

Mal me aflorou um inchaço

Logo me agarrou na mão

Me levou a um terraço

E ajoelhou-se no chão.

 

De joelhos como quem resa

Uma devota oração

Arregaçava a sua presa

Descendo e subindo a mão.

 

Chegada a hora derradeira

Beijou a presa em brasa

Menteu-a dentro de casa

E roubou-lhe a sementeira...

DEBAIXO DA SUA SAIA

Pondo os olhos na laranjeira

Que subia indo às laranjas

Vi umas cuecas de franjas

Numas pernas de feiticeira.

 

Admiti que não sabia

O que me estava a causar

Mas ainda quando descia

Surpreendi o seu olhar...

 

Avançando sorridente

Olhos cheios de convicção

Estava ali na minha frente

O caminho da perdição.

 

Apanhando a laranja caída

Como se fossem conchas na praia

Debaixo da sua saia

Outra fruta foi colhida... 

O OUTRO LADO

Os seus dedos ardilosos

Já me faziam crescer

E os lábios sequiosos

Ajudaram-me a erguer.

 

Acolheu o crescimento

Com o peito ao meu colado

Fez um subtil movimento

E eu entrei no outro lado.

 

Abandonei no outro lado

O que já não me pertencia

Mas pouco tempo passado

O desejo se reacendia.

 

Um desejo depravado

A que por nada resistia

Irrompi pelo outro lado

Sem saber o que fazia...

O MASTRO

 

A tua cabeça desceste

Quando me sentiste ao rubro

A razão por que o fizeste

Nem quero ver se descubro.

 

Os teus lábios sedentos

Sobem e descem o mastro

Que sucumbe aos movimentos

E atrás de si deixo lastro.

 

Jamais me vinha à ideia

Que a tua boca travessa

Gostasse de ficar cheia

e de sugar a remessa.

 

Ajoelhas-te junto à cama

E só deixas de o trepar

Quando o mastro perde a chama

E eu já vi  estrelas no ar... 

NADA CUSTA

Tenho-te aqui bem apertada

Entre os meus braços que são teus

Sei que partes não tarda nada

Oxalá não seja um adeus.

 

Até breve é sempre o que dizes

Mas não voltas com brevidade

Ainda assim somos felizes

Nem que seja pela amizade.

 

Uma amizade bem robusta

Quando um no outro nós estamos

És tão versátil convenhamos

ser teu amigo nada custa.

 

É sempre muito o que me dás

Contigo entro num labirinto

Donde sair sou incapaz

De tão bem que por lá me sinto!

MÃOS ATREVIDAS

Passaste bem só por amiga

Até que estendeste a tua mão

E agarrando a minha ereção

Foi outra atua cantiga.

 

De ti o que sei são nadas

Da tua mão estou mais sabido

Ereções tão prolongadas

Ainda não as tinha tido.

 

A tua mão não é egoista

Por isso tanto lhe faz

Que eu procure uma outra pista

À frente em cima ou atrás.

 

Mas é ela a preferida

Com direito a cortesia

A tua mão atrevida

Jamais deixarei vazia... 

O LIO

Reflections in Maroon Lake, Colorado 

Como quem anda ao rebusco
Apanhei a tua mão
Na minha senti o susto
E o tremer da tua agitação.

Sem qualquer movimento brusco
Permites já resignada
A segunda mão poisada
Sobre o teu airoso busto.

A voz gritante dos sentidos
avança com rapidez
Perdem toda a lucidez
Os corpos no chão cingidos.

Entra por sorte na conta
O querer dos dois amantes
Não somente os impulsos instantes 
Duma acção inócua e tonta.

No céu resplandece o azul assombroso
As árvores peneiram o sol entre os ramos
De nós e em nós derramamos
O lio de todos mais precioso!